O que fazer com o nervosismo diante de provas importantes?

Ilustração sobre nervosismo em provas
Imagem ilustrativa. Situações de teste e avaliação ativam respostas biológicas no corpo.

Prova da autoescola, falar em público, entrevista de emprego e outras dezenas de situações. São provas que fazem nosso coração sair pela boca, né?

Nervosismo

"Trata-se de uma síndrome orgânica, biológica, que afeta o corpo em escala que vai desde um estado de alerta." Então, o que acontece com o corpo é também algo orgânico, mexendo com o sistema nervoso, respiração ofegante, tremores e outros sintomas comuns.

Complete a frase: antes de uma prova importante, eu me sinto

“Nervosismo” não é necessariamente o termo mais preciso para descrever todas essas experiências na psicologia. Ainda assim, é uma palavra cotidiana, conhecida por praticamente todo mundo — e pode ser um bom ponto de partida para conversar sobre o tema.

Por que isso acontece?

Pessoas são diferentes, sendo impossível generalizar quando se trata de seres humanos. Em Inibições, sintomas e ansiedade (1926), Freud discute a ansiedade como uma reação diante de situações percebidas como perigosas, mobilizando as defesas do sujeito. Durante uma prova não estamos em perigo, ou estamos?

Talvez seja o perigo de errar, as consequências daquilo não dar certo. Ou porque essa prova é sobre algo muito importante para você.

Também, lembro desta frase: “Às vezes, a angústia aparece justamente quando nos aproximamos daquilo que mais desejamos.” — Paráfrase inspirada em Jacques Lacan, especialmente no Seminário 10, “A angústia” (1962–1963).

Somando: Pressão por não errar + importância daquele momento + consequências imaginadas + a história particular de cada sujeito = uma experiência de nervosismo.

Qual o significado dessa prova?

Importante nomear os significados que você atribui a essa prova. Quais são as palavras que vêm à sua mente quando você lembra disso? Até mesmo para você entender um pouco melhor e ver de onde vem o nervosismo.

“Nomear o que sentimos pode ser o primeiro passo para começar a compreender o que nos acontece.” Esta ideia dialoga com a tradição psicanalítica, especialmente com a importância dada à palavra e à elaboração da experiência psíquica.

O que fazer para melhorar?

Nesse caso, não existe uma receita de bolo que possamos seguir para chegar sempre a um resultado X. Existem, por exemplo, profissionais que trabalham a partir da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), utilizando técnicas específicas para lidar com sintomas de ansiedade e questionar determinados padrões de pensamento. Mas, nesse momento aqui, vamos pensar da seguinte forma: duas ideias para refletir:

1. Não brigue com o nervosismo

"Para de ficar nervoso" talvez piore as coisas. Focar nisso e tentar batalhar para melhorar, às vezes, pode te deixar mais nervoso ainda. Lembrando: cada caso é um caso. É uma convocação a admitir seu estado atual: estou nervoso porque esse momento é bastante importante pra mim. Como comentei acima, nomear o que está sentindo pode ajudar.

2. Pergunte-se o que está em jogo para você

Um cargo importante? Não gastar mais dinheiro com a autoescola? Então, o que é importante para você diante desse assunto? Parafraseando Freud: nem tudo aquilo que sentimos é consciente. Tentar perceber o que pode estar em jogo naquele momento pode nos permitir olhar para a situação de outra forma.

Participe

No inferno, dizem que está cheio de bons conselhos. Por isso, aqui eu não quero te dizer o que você deve fazer. Quero saber: o que você faz quando fica nervoso diante de uma situação importante?

O que funciona para você?

Compartilhe aqui! Talvez aquilo que funciona para você também ajude alguém que está passando pela mesma situação. O próximo leitor pode encontrar na sua experiência algo que estava procurando.

Gustavo Lüdtke da Silva

Psicólogo • CRP 07/46487

Psicólogo clínico com atuação em Santa Cruz do Sul e atendimento online. Escreve sobre saúde mental, processos subjetivos e os impactos da tecnologia e do comportamento na contemporaneidade.