Tudo vai ficar bem. Será?

Tudo vai ficar bem. Será? Reflexão sobre positividade tóxica e saúde mental
Reflexões sobre saúde mental, exigência de desempenho e os impactos da positividade na contemporaneidade.

É muito comum escutar: "Tudo vai ficar bem". Mas será? Lembrando, não estou desejando que algo de ruim aconteça, mas já percebeu a quantidade de conteúdo te inspirando a ficar bem?

A ditadura do desempenho e da otimização

Zumbis da performance

Uma citação interessante de Byung-Chul Han afirma que: nós nos transformamos em zumbis saudáveis e fitness, zumbis do desempenho e do botox.

Isso quer dizer que o mundo que a gente vive hoje está focado sempre no melhor desempenho, na melhor vida, na melhor estética, fazendo com que as pessoas tentem alcançar esses padrões a todo o momento.

O perigo de banir o lado ruim

Existe uma tendência a tentar se sentir bem ao máximo, olhar sempre o lado positivo das coisas: mas isso pode estar afetando em muito nossa experiência de vida.

Viver é cheio de experiências e os momentos ruins também fazem sentido ser vividos. Até porque se tudo fosse muito perfeito e de boa o mundo seria um lugar bastante chato. O que você acha?

Conclusão

A negação da dor e a obrigação de estar sempre bem retiram do sujeito a possibilidade de elaborar seus sentimentos reais. Aceitar que nem todos os dias são fáceis é um ato de lucidez diante de uma sociedade hiperacelerada.

Se a exigência de manter uma fachada perfeita tem gerado desgaste, buscar um espaço de escuta profissional pode fazer toda a diferença.

Gustavo Lüdtke da Silva

Psicólogo • CRP 07/46487

Psicólogo clínico com atuação em Santa Cruz do Sul e atendimento online. Escreve sobre saúde mental, processos subjetivos e os impactos da tecnologia e do comportamento na contemporaneidade.